QUAL A DIFERENÇA ENTRE GAG E ENGASGO
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A introdução alimentar diversificada é uma etapa vivida com muito entusiasmo por parte dos pais, mas acarreta alguma ansiedade e, por vezes, até mesmo angústia, particularmente relacionada com o medo de que o bebé se engasgue. Este receio é totalmente compreensível, uma vez que a asfixia é uma das principais causas de morte em crianças, com menos de 4 anos de idade, estando a maioria dos incidentes associada a alimentos, moedas e brinquedos. Entre os 5 e os 8 meses de idade ocorre uma transição progressiva das competências oromotoras do bebé com a passagem da sucção para a mastigação. É, no entanto, importante perceber que cada bebé tem o seu ritmo de desenvolvimento cognitivo e motor. Não é por ter 6 meses que o bebé já adquiriu as competências necessárias à introdução dos sólidos. Para tal, a criança deve conseguir manter-se sentada, ter musculatura axial que permita manter uma postura ereta e ter um reflexo de gag eficaz. GAG é uma ação reflexiva e natural que o bebé adquire e que lhe permite proteger a via área da asfixia por corpo estranho. Quando algo toca na parte de trás da garganta do bebé, esta contrai-se e fecha automaticamente, forçando a língua a vir para a frente da boca, como que a empurrar o que provocou o estímulo. Quando isto acontece, o bebé pode tossir, simular um vómito, empurrar os alimentos com a língua até os expulsar da boca ou vomitar mesmo. Ao contrário do adulto, o bebé não faz este reflexo porque não gosta do alimento, mas porque está num processo de aprendizagem. Numa situação de gag o bebé fica, normalmente, vermelho, com reflexo de vómito, tosse de forma audível, coloca a língua de fora e pode lacrimejar. Geralmente dura poucos segundos e o bebé consegue respirar durante o processo. Quando esta situação acontecer, é importante deixar que o bebé resolva por si e abster-se de intervir com palmadas nas costas ou remoção do alimento da boca do bebé com os seus dedos. O ENGASGO, por outro lado, é um sinal de que as vias respiratórias do bebé estão bloqueadas. No engasgo há um pedaço de comida (ou objeto) que bloqueou parcial ou totalmente a traqueia do bebé porque o seu reflexo de gag foi inexistente ou ineficaz. Nesta situação vai observar o bebé a ficar com dificuldade em respirar, com tosse ineficaz ou ausente, com a face e lábios de uma tonalidade azul/ arroxeada, sem choro ou emissão de qualquer tipo de som. Uma obstrução total da traqueia pode levar à inconsciência e, progressivamente, a uma paragem cardiorespiratória. Esta é, por isso, uma situação que requer atuação emergente, com manobras específicas de desengasgamento e contato imediato com o 112. Alertar para esta possibilidade não é, de todo, desencorajar os pais a iniciar a introdução alimentar, pois isso pode comprometer o desenvolvimento da musculatura e motricidade orofacial do bebé e as funções a elas relacionadas, como a respiração, sucção, mastigação, deglutição e a fala, com impacto negativo também nos hábitos alimentares futuros. O objetivo deste artigo é consciencializar pais e cuidadores de que por vezes o reflexo de gag não é suficiente, mesmo em crianças que já demonstram estar preparadas para a introdução alimentar diversificada, e é importante estarem preparados e saber agir de forma rápida e eficaz. Nos nossos workshops de suporte básico de vida, pais e cuidadores poderão aprender a realizar estas e outras técnicas de reanimação cardiorespiratória, empoderando-os para mais uma etapa da vida dos filhos, que se espera que seja vivida em segurança e tranquilidade. Escrito por Carolina Ricardo - Enfermeira Especialista em Saúde Infantil e Pediatria