Dia dos Irmãos

Há já algum tempo que penso em escrever sobre este tema “Os irmãos” e em particular sobre os irmãos mais velhos. Então hoje foi o dia…

Não que eu saiba o que é ser a irmã mais velha (sou a bebé da família…ou era até a minha primeira filha nascer), mas desde que fui mãe pela 2ª vez que muitas questões surgiram na minha mente e, particularmente, no meu coração de Mãe.

Tudo começou quando começamos a pensar em engravidar pela 2ª vez. Será que a nossa bebé está preparada para dividir a mãe, o pai, os avós, o quarto, os brinquedos? Será que eu estou preparada para dividir o meu coração, a minha atenção, o meu tempo, a minha disponibilidade? Se por um lado sentia que sim, por outro sentia que estava a atraiçoar a minha bebé e uma imensa culpa invadia o meu coração.

Até que um dia olhei para a minha menina e senti que ambas estávamos preparadas (o máximo que se pode estar). E muito embora a relação com a minha própria irmã mais velha não tenha sido sempre fantástica, a verdade é que sinto que ter irmãos pode ser mesmo BOM!

A mais nova nasceu e, de repente, a minha primeira bebé era agora uma crescida (ou nós começamos a vê-la assim). Com apenas 3 anos comecei a exigir que ela se comportasse como A irmã mais velha que agora era. Mas ela fazia birras, era pouco carinhosa com a mana. Embora visse nela um enorme sentido de responsabilidade em se tentar comportar como lhe pedíamos, a verdade é que não parecia haver AQUELE amor. Até que um dia caí em mim e percebi que ela nunca tinha sido irmã mais velha, precisava de tempo para também ela perceber qual o seu papel, como poderia interagir com a irmã.

Dois anos depois (sim, demorei dois anos a perceber isto), com a chegada da crise da pré-adolescência dos 5 anos, vi-me inundada por uma montanha russa de emoções que a mais velha não estava conseguir gerir (nem eu). Decidi seguir a sugestão de uma amiga e implementamos o “Dia da Filha Única” ou se quiserem “Dia da irmã mais velha”, porque a verdade é que a mais nova não sabe o que é ser filha única (palavras da irmã). E posso dizer que foi das melhores decisões que tomamos. Foi uma lufada de ar fresco. Não porque as birras terminaram (era bom era) mas porque as relações mudaram. Voltei a ter tempo para olhar para a mais velha e perceber como cresceu, como a nossa relação está diferente, como eu própria estou diferente.

Com esta pequena mudança, a própria relação entre irmãs mudou. Continuam a travar muitas batalhas, sim, mas com mais tolerância uma pela outra. Afinal, a Maria não pediu para ter uma irmã, mas a Mafalda escolheu a Maria como irmã mais velha… e se o fez, foi porque sabia que ia encontrar nela o amor, o suporte, a amiga, a companheira de brincadeiras e de confissões. A Maria é que não estava preparada para a pequena Mafaldinha Contestatária que entrou na sua vida. Mas é assim, relação de irmãos não se explica, sente-se. E as irmãs ou irmãos mais novos parece que já vêm com metade da lição estudada, os outros que se preparem e aguentem (ahahaah).

 

Carolina Ricardo (Mãe, Enfermeira, Professora de Yoga)